radinho de pilha

radianos em sintonia fina

um tema que sempre me fascinou e com o qual eu venho fazendo um monte de experiencias é a colaboraçao online. ja participei de alguns projetos por aí e, em paralelo, venho fazendo um monte de experimentos com a usina, o radinho, meus blogs, podcasts, etc.

quando eu achei que o radinho no Yahoo! Grupos estava degringolando simplesmente porque tinha crescido demais, decidi experimentar uma plataforma radicalmente diferente, o Ning. imaginei que uma plataforma como esta aqui favorecesse o surgimento de mais vozes, que favoreceria um zelo maior com a propria imagem, que favoreceria uma participacao mais ponderada e profunda, etc etc etc.

(pensando numa metafora culinaria ou termodinamica, eu sempre imaginei que para a colaboracao online fluir deveria haver uma temperatura otima e estavel, e listas corriam o risco dessa temperatura subir muito rapido e muito facil. o Ning parece estar comprovando a tese de outra maneira: a temperatura é baixa demais pras reacoes ocorrerem espontaneamente)

nesse meio tempo o twitter começou a bombar, e percebi que um dos motores básicos do twitter nao eram tanto a colaboracao real e a informacao relevante (que ocorrem, claro), mas sim o bla-bla-bla continuo que mantem as pessoas "ligadas" e a temperatura num nível favoravel.

isso me abriu o olho para algo que já comentei no roda e avisa: a importancia do "fático", da comunicação frequente mas de baixo valor informacional, que tem como papel reforçar os laços e manter a sensacao de pertencimento e vitalidade e, sobretudo, responsividade da lista.

nao sei o que voces acham dessas minhas teses. gostaria de ouvir opinioes diferentes. e enquanto isso vou testando combinacoes e sinergias e politicas e estrategias pra ver como montar uma maquina colaborativa funcional

Tags: colaboraçao, comunidade, conversa, twitter, web2.0

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Respostas a este tópico

As pessoas gostam de conversar, isso é fato. Só ouvir, torna-se uma aula, e muito pensam que pra isso é mais fácil ir a escola. Acho que a oportunidade de fazer algo colaborativo sempre se baseia em "vc opina, eu também", "vc me ajuda, eu te ajudo".
Tenho adotado o seu ponto de vista quando falo do twitter, só que nos meus termos: conversa fútil, sem agregar um conteúdo relevante, bate-papo casual, é imprescindível pra atrair a atenção num processo colaborativo. Ao menos para os brasileiros, o bate-papo no cafézinho, ou mesmo as vizinhas em cima do muro... a cultura brasileira se baseia na conversa.

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Fala Rene. Eu acredito que a temperatura ideal seja mantida se houver uma boa dosagem entre temas profundos e superficiais, onde todos se sintam confortáveis para exporem suas idéias sem medo de repressão.
Creio que só a conversa de cafezinho seja muito pobre, porém com muito mais participação. O inverso também. Em uma conversa muito densa, as pessoas se sentem incapazes ou com receio de dar uma opinião porque o risco de levar uma "pedrada" é infitinamente mais alto. Seja por erro de interpretação ou falha de expressão... (ou os dois juntos...)
Eu acredito também que outro fator importante é o que o Danilo citou: a questão da ajuda mútua. A medicina já comprovou que ao falarmos ativamos áreas relacionadas ao prazer, ao passo que ouvir alguém falar não estimula, pois o processo é o inverso. Temos que colocar as idéias dentro da nossa mente, que é mais trabalhoso e pode ser traumático o fato de romper paradigmas, conceitos e opiniões já arraigados...

A verdade é que poucos estão prontos para quebrar suas próprias idéias ou comprar um debate mais crítico. Quando o assunto é superficial, não há interesse real de que o outro faça uma reflexão interna efetiva.

Talvez com as conversas cotidianas, fazendo mais links, seja mais fácil aquecer a temperatura de assuntos mais densos e estabelecer um equilíbrio adequado, que germinará mais sementes sadias. :)

Abraço!

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Acho que este talvez seja um dos principais fatores de que atrapalham a participação de pessoas em algum debate, ou ações em um processo colaborativo: conversa muito densa, assusta. É a mesma situação quando alguém faz uma pergunta no meio de uma multidão: a maioria até sabe a resposta, mas não levanta a mão para falar pois, ou tem medo de dizer a coisa errada (e por isso perdem a oportunidade de participar) ou porque tem medo de participar, e preferem observar.

Acho que é nesse processo de "observação" que muito projeto colaborativo não vinga. A mescla de assutos densos e triviais faz os observadores se sentirem mais motivados a opinar. :)

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Pois é Danilo, eu acredito também que esta questão da participação online tem tudo a ver com a participação no cotidiano (onlife). Visivelmente fomos "adestrados" a ter medo de se expor, a se autocensurar, a se esconder... vale a regra do "Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe".

Sem apedrejar a igreja, eu a considero causa mater deste efeito colateral típico de caça às bruxas, que se afixou na humanidade até hoje e tentamos com força (ou nem tanto) nos livrar deste hábito.

Talvez seja isto mesmo. Fomos doutrinados a não falar demais sob pena de pagar preços altos.

Quem nunca ouviu dizer as seguintes expressões:
• Em boca fechada não entra mosquito;
• Peixe morre pela boca;
• Quem fala o que quer, ouve o que não quer;
• Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe;
• De curiosidade morreu o gato;
• Minha boca é um túmulo;
entre outras mil...

O povo se omite pois seu pensamento encontra mil barreiras a superar antes que seu pensamento possa se externar. Será que somos livres? Será que queremos a liberdade?

Vejo a cena de um pássaro que acostumado com a gaiola, prefere ficar preso... é mais seguro...

Para enfrentar um debate, uma discussão ou uma conversa mais densa, precisa ter além de coragem, autoconfiança, conhecimento de causa, boa persuasão e pelo menos um nível razoável de organização do próprio pensamento, ter coragem para sair da gaiola.

Muito bacana refletir sobre isto...

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Pensa em um brainstorm onde, no final, irá sair um grande projeto, uma grande sacada.

Muita idéia ruim passou ali no meio, muita piadinha fora de hora, alguma descontração em um nível PROPORCIONAL às boas idéias, às interconexões entre as idéias e outros ingredientes que fazem os brainstorms funcionarem.

Muita coisa ruim sai para cada coisa boa. Mesmo as agências mais inovadoras joga muita coisa ruim fora para ficar apenas com os diamantes.

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Acho que a suma pra um bom processo colaborativo é deixar tudo muito espontâneo. O exemplo do brainstorm é ótimo, pois de algumas "piadinhas fora de hora", ou de alguma "bobeirinha" surgem oportunidades para desenvolver e lapidar o assunto em discussão.

Como o Fernando bem exemplificou, fomos criados para ser censurados. Dar a oportunidade para falar em diversos níveis é um bom caminho pra quebrar o medo de falar, e ajudar, consequentemente. ;)

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acho o "espontaneo" um mito. o nosso comportamento sempre será condicionado pelo contexto. basta uma mudancinha qualquer (teto alto? teto baixo? traje social? musica ambiente? de noite? de dia? so homens? so mulheres? gente mais velha na area?) para que mudemos a maneira de nos comportarmos. arquitetos levam isso em conta, urbanistas idem. eu venho refletindo e publicando sem parar a respeito disso, e acho que a "espontaneidade" é apenas um mito brazuca movido pela aversao a regras e ao mesmo tempo pela sujeicao a regras invisiveis.

my two cents, claro

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acho que eu estava falando de outra coisa ou então,
não entendi nada do que vc falou
rs

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Concordo com o Rene no ponto de que a espontaneidade é sempre de acordo com o contexto. Mas e quando o contexto é cibernético? Como ficam os protocolos? Será que os avtares influenciam? Será que é o nível e profundidade da conversa? Talvez por falta de um contexto real, no virtual você tem a opção de ser apenas ouvinte-vouyer (ou leitor no caso) e a impressão é de que a temperatura está baixa. Como você já comentou em vários podcasts, há muito mais perfis coletores que agricultores.
Acho que é normal e até previsível. As pessoas quando entram em uma conversa, seja ela real ou virtual (que não deixa de ser real também), precisam de coragem para se expor. Alguns têm muita, outros pouca, mas sempre haverá com quem discutir. De física quântica e filosofia até BBB e futilidades... tudo é muito relativo, acho que isto é o que pega mais.
Para mim, e acredito que para vocês também, é prazeroso refletir sobre isto. :)
Para outros é puro bla bla bla...

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eu acabei lembrando deste post, do gilberto, sobre um artigo da danah boyd... dê uma olhada - http://amanaie.com.br/pordentro/como-as-redes-sociais-vao-impactar-...

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se quiser uma analise um pouco mais profunda e rica de como adolescentes se apropriam de novos canais tem esse excelente texto aqui: http://www.boxesandarrows.com/view/solving_mobile_challenges_with_p...

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Oi Rene, adorei q vc observou isso. Eu lembro o peso e a repercussão q teve a migração do radinho/mailingList pro NING. E apesar de ser muito mais leitora do q uma escritora, tb senti a esfriada no ritmo das interações. Eu participo de uma lista de arquitetos de informação e inclusive enviei seu post pra lá. Estamos questionando migrar nossa lista pro NING tb, e muitos foram contra. Minha visão como arquiteta de informação é q a colaboração aqui no NING n parece aparecer aos olhos de quem lê e ao espírito de quem colabora/interage. Parece q a forma de navegação e disposição das mensagens poda o caráter dinâmico da informação e ainda como temos acesso aos comentários e réplicas reforça mais a monotonia na leitura. O q é interessante do twitter é essa dinâmica q é dada pela simplicidade da informação, relevante ou não, mas sempre simples e direta. No entanto essa simplicidade atrai conversas e colaborações mais superficiais realmente. Acredito q por isso q as mailingLists tem tanto êxito, pq elas unem a possibilidade de haver mais profundidade/relevância da informação com a dinâmica da troca, colaboração e acesso a essa informação. De qq forma eu n invalido nem o NING nem o Twitter, pq acredito q há espaço pra todo tipo de colaboração e interação, e isso significa q as próprias pessoas que utilizam esses recursos irão conduzir o ritmo da interação através de comportamentos q sintam ser adequados a cada espaço. Sem esquecer q uma pessoa pode agir e ser diferente em cada lugar e com cada pessoa q fala ou interage. Ou seja, existe muita complexidade e muitas combinações possíveis pra poder chegar em alguma conclusão q represente a realidade. Dá pra propor um trabalho (tese) sobre isso.

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